O fundador da Universidade Anhembi Morumbi, Gabriel Mário Rodrigues, 80 anos, foi convidado pela administração da Anhanguera Educacional para assumir a presidência de seu conselho de administração. A nova chapa indicada para compor o órgão prevê a saída de três sócios do Pátria Investimentos – Alexandre Saigh, Luiz Otávio Reis de Magalhães e Olimpio Matarazzo Neto – do conselho, que passará a ter pessoas mais ligadas ao setor de educação do que ao financeiro.

Rodrigues é um grande acionista da Anhanguera há cerca de dez anos. Ele sempre foi o principal cotista do fundo pelo qual o Pátria investiu na empresa. Nesses anos, sempre indicou nomes para o conselho, mas pode de fato integrá-lo agora por conta da venda total da ISCP, que controla a Anhembi Morumbi, para o grupo Laureate Education.

“A presidência do conselho da Anhanguera será um novo desafio na minha história na educação. Após 42 anos na reitoria da Anhembi Morumbi, recebi esse convite que aceitei com muito orgulho”, afirmou Rodrigues ao Valor por e-mail. “Acompanhei a formação da Anhanguera como investidor pelos últimos 10 anos, e agora poderei contribuir no conselho com minha experiência na área educacional.”

Rodrigues é o principal cotista do Fundo de Educação para o Brasil, que tem hoje 10,27% da Anhanguera e é gerido pelo Pátria. Os recursos de Rodrigues respondem por 70% do total da participação do fundo. Em janeiro, o fundo reduziu sua fatia na empresa que, até o fim de 2012, era de 17%. A fatia atual, de 10,27% é uma “posição de longo prazo” e o fundo continuará sendo o veículo que abrigará o investimento de Rodrigues na empresa, explica o diretor-presidente da Anhanguera, Ricardo Scavazza, único executivo ligado à butique de investimentos que permanece no conselho.

“Rodrigues sempre foi um grande investidor da Anhanguera, mas nunca esteve diretamente ligado à companhia. Ele é um dos principais nomes do setor de educação no Brasil e estamos muito felizes por ele ter aceitado o convite”, afirmou O executivo e os sócios do Pátria mantêm ações da Anhanguera em participações diretas, mas em quantidade não relevante. Scavazza informa que não vendeu as suas, sem se pronunciar sobre os posicionamentos dos outros sócios, que não são públicos.

A Anhanguera está na carteira de participações do Pátria desde 2003. Em 2007, a gestora levou a empresa à bolsa de valores. Como se trata de um investimento antigo, é natural que o Pátria se afaste do dia a dia da companhia ou até mesmo saia de vez do investimento.

Segundo Scavazza, os sócios do Pátria abriram mão de seus assentos no conselho para que Rodrigues pudesse fazer suas indicações. “Eles já estavam na equipe há muitos anos e, agora, o conselho da empresa passará a ter um perfil mais dominado por especialistas na área”, diz.

Rodrigues indicou para o novo time, que deverá ser aprovado por acionistas em assembleia dia 30 de abril, dois integrantes. Marcos Shigueru Hatushikano, que tem perfil financeiro. É sócio-fundador e diretor da Loyall Wealth Advisory e, anteriormente trabalhou no banco UBS Pactual e Citibank. Além dele, Paulo Freitas, também ligado à área de educação e que foi, por muitos anos, conselheiro na Anhembi Morumbi. Antonio Carbonari Netto, 62, co-fundador da Anhanguera, deixará de ser o presidente do conselho e passará a ser o vice. Maria Elisa Ehrhardt Carbonari, da família fundadora, e Sergio Bicicchi, que atua como consultor em gestão empresarial desde 1991, também permanecem.

Fonte: Ana Paula Ragazzi – Jornal Valor Econômico

by Leandro Lafrágola

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