A tendência de aumento da temperatura global foi interrompida nos últimos anos.

Modeladores do clima disseram durante uma reunião científica na semana passada que isso equivale a um "soluço nos dados" causado pela variabilidade natural.

Em janeiro deste ano, os cientistas revisaram para baixo suas previsões do aquecimento global, depois de admitir que o aquecimento global era mais suave do que haviam previsto.

Os climatologistas argumentam, para defender os modelos ainda ineficientes, que um deles teria feito uma previsão correta em 1999 em relação ao inesperado "desaquecimento global" que tem marcado a última década – embora as temperaturas precisem começar a subir novamente muito em breve para que essa previsão continue com a razão. Senão, todas as previsões terão falhado.

O fato é que o assunto foi mascarado pelos cientistas durante os últimos anos com seguidos anúncios do tipo "segundo ano mais quente", "terceiro ano mais quente" … "décimo ano mais quente", numa tentativa sorrateira de transmitir uma falsidade sem dizer uma mentira – cada ano era mais frio do que o anterior, mas os anúncios sempre ressaltavam o aquecimento.

A falta de uma explicação mais razoável para essa reversão do aquecimento global, por momentânea que seja, está incomodando muitos.

A revista britânica New Scientist, por exemplo, publicou um artigo cobrando dos cientistas explicações e teorias melhores para costurar as previsões do tempo – de curto prazo – com as previsões do clima – de longo prazo.

A causa mais provável da reversão recente do aquecimento, respondem os cientistas, está na variação de fluxos de calor entre os oceanos e a atmosfera.

Se assim for, as temperaturas podem subir novamente em torno de 2020, conforme o ciclo natural se combine com o efeito estufa para causar uma nova onda de aquecimento.

Embora se saiba que modelar o clima nessas escalas é algo muito complicado, a revista lembra que a lacuna entre as previsões de curto prazo do tempo e as previsões de longo alcance sobre as mudanças climáticas gera incerteza nas projeções e abre espaço para questionamentos que soam muito válidos.

Como exemplo principal desses argumentos está o de que o aquecimento global é atribuído aos gases de efeito estufa gerados pela ação humana, mas o resfriamento que os dados estão mostrando agora é explicado como sendo culpa de ciclos naturais.

Esse argumento pode até ser injusto, diz a New Scientist, mas é um argumento que deve ser levado a sério.

Da próxima vez que nos depararmos com um episódio temporário, seria melhor que os cientistas fossem capazes de explicá-lo de maneira fundamentada, e não apenas dizer que é um "soluço" esporádico, conclui a reportagem.

Com informações da New Scientist – 17/04/2013