53DD38A1938921994558EC224A00E7453F4C_Protesto.jpgA baderna dos estudantes na USP parece que ainda vai longe.

Após a desocupação forçada da Reitoria, com seu rastro vergonhoso de depredação, sujeira e desordem, além de morteiros e coquetéis Molotov prontos para explodir, alunos decretam greve.

A tensão política aumenta no território da universidade por conta das eleições para o Diretório Central dos Estudantes (DCE), marcadas para o fim de novembro. Teme-se a organização de piquetes por parte das facções mais extremadas.

A invasão da Reitoria foi liderada por representantes de correntes radicais, como a Liga Estratégia Revolucionária – Quarta Internacional, o Movimento da Negação da Negação, Partidos da Causa Operária e Operário Revolucionário.

Não há inocentes entre os invasores da Reitoria. O que há são os agentes e provocadores da rebelião querendo passar-se por vítimas. Partem para o vandalismo mais impiedoso, ameaças declaradas, desafios abertos à reitoria e à polícia, e ao serem contidos, nos limites da lei, inventam que estão sendo "torturados", desrespeitados e injustiçados.

Atitude típica de chantagem emocional própria de meninos e meninas mimados. Lembram aquela historinha do réu julgado pelo assassinato do pai e da mãe, pedindo aos jurados clemência para "um pobre órfão"…

O que se passa na USP é o resultado da cultura da impunidade e da falta de limites consagrada por uma pedagogia dita "moderna", que entrega o menor ao desgoverno da sua libido, esquecida de que a criança é "o perverso polimorfo", como ensina Freud. A dificuldade da educação está em conciliar a imposição de limites com o devido respeito à espontaneidade vital da criança. Mas sem imposição de limites não se educa. Não vale também confundir surra brutal contra o filho menor com a inocente e eventual "palmadinha" boa para cortar, vez ou outra, algum acesso de má-criação ou rebeldia.

Mas as barbaridades perpetradas por estudantes não são de hoje. No remoto ano de 1932, o escritor português Miguel Torga, registrava em seu Diário esta nota curiosa a respeito dos estudantes em Coimbra:

"Continuam as matanças de gatos cá na república. Uma selvajaria. Só quem assiste a isso pode avaliar o que é um homem primitivo. Não há Universidade que nos tire da idade da pedra lascada."

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*Gilberto de Mello Kujawski é ex-promotor de Justiça. Escritor e jornalista

Fonte Migalhas