Novos enlaces operados em parceria por RNP e ANSP ampliam fronteiras para a pesquisa colaborativa entre o Brasil e outros países

Nesta segunda-feira (28/9) cientistas brasileiros que atuam em pesquisa colaborativa com outros países receberam uma boa notícia para seus estudos: foi oficialmente colocado em operação o novo enlace internacional de 10 Gbps da rede Ipê, a Internet acadêmica brasileira coordenada pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP). A conexão São Paulo-Miami, que foi criada no escopo do projeto WHREN-LILA (Western-Hemisphere Research and Education Networks- Links Interconecting Latin America) e cuja capacidade até agosto passado era de 2,5 Gbps, foi substituída nesse mesmo mês por um enlace de 10 Gbps, colocado em operação pela ANSP (an Academic Network at São Paulo – rede acadêmica de São Paulo). O novo enlace da RNP, que entra em operação nesta segunda-feira, se soma ao da ANSP, ampliando a capacidade total para 20 Gbps (oito vezes maior que a capacidade anterior).

Destes 20 Gbps, inicialmente 3 Gbps serão dedicados à chamada Internet comercial e 17 Gbps serão exclusivos para a troca de conteúdo acadêmico, o que corresponde a quase 7 vezes a capacidade atual para este tipo de tráfego.Um acordo de parceria entre a RNP e a ANSP prevê a operação conjunta destas conexões, possibilitando que tanto usuários da rede paulista quanto usuários da rede nacional (rede Ipê) contem com acesso a esta capacidade internacional agregada de 20 Gbps.

Para o diretor de Novas Tecnologias da RNP, Michael Stanton, há vários pontos positivos a destacar nestas novidades. Primeiro, o aumento de capacidade para colaboração científica beneficia várias comunidades de usuários que já vêm realizando grandes transferências de informação pela rede, como por exemplo os pesquisadores de física de altas energias, que utilizam circuitos dedicados para comunicarem dois de seus centros computacionais no Brasil diretamente com o laboratório European Organization for Nuclear Research (CERN), em Genebra . Segundo, a nova conexão faz parte de um amplo esforço para manter atualizada a rede Ipê e sua conectividade internacional. Terceiro, a aproximação com a ANSP é benéfica para toda a comunidade nacional atendida por ambas as redes, pois possibilita oferecer maior capacidade e disponibilidade de comunicação internacional, contribuindo para a formação de novas parcerias entre centros de pesquisa brasileiros e do exterior.

Estes enlaces da RNP e da ANSP formam um ponto de troca de tráfego chamado Southern Light (SOL), que está conectado às redes de pesquisa em todo o mundo através do ponto AMPATH, em Miami. Através desta conexão, o Brasil é membro da Global Lambda Integrated Facility (GLIF), uma organização internacional virtual voltada à integração entre as redes acadêmicas de diversas partes do mundo, que oferece suporte à troca de dados intensivos gerados por pesquisas científicas e facilita a pesquisa colaborativa através de circuitos fim-a-fim, da ordem dos Terabytes (como meteorologia, astronomia, transmissões em tempo real de vídeo de alta qualidade, entre outras). Com o aumento da conexão internacional, a participação do Brasil em atividades de colaboração entre vários países só tende a se intensificar.

[RNP, 28.09.2009]